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Na contramão do mercado, dólar é um dos poucos ativos a operar em alta

SÃO PAULO – Os temores acerca de uma recessão global se intensificaram após o término da reunião do Fed na véspera, deixando os investidores  mais avessos a tomarem posições de risco. Neste cenário atual, o dólar tem conseguido se destoar das quedas relatadas não só nas bolsas e commodities - que são historicamente são penalizadas em momentos de desaceleração econômica -, como também em relação a metais preciosos (ouro e prata) e outros divisas estrageiras, ativos geralmente vistos como porto seguro em momentos de turbulência no mercado.

Em relação às principais moedas europeias, a divisa norte-americana consegue mostrar apreciação. É o caso do e da libra esterlina, que registram desvalorizações frente ao dólar de 0,87% e 0,95%, respectivamente. Já o franco suíço opera com variação negativa de 1,14% ante a moeda dos EUA.

Por aqui, a valorização é ainda mais forte, com o dólar saltando da faixa de R$ 1,60 - patamar visto há quase um mês - para os atuais R$ 1,90, cotações vistas antes apenas em julho do ano passado. Além da piora do cenário internacional, o mercado pode estar precificando novos cortes na taxa básica de juros brasileira. Essa possível redução na Selic diminui a rentabilidade da renda fixa local, afetando a entrada de investidores estrangeiros atraídos pelo "spread" entre as taxas de juros brasileira e internacionais para operações de carry trade .

Bolsas caem...
Nos EUA, os principais índices acionários das bolsas norte-americanas (Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq) registram quedas superiores a 3%, enquanto na Europa  as bolsas fecharam com recuos acima de 4%. Na BM&F Bovespa, o Ibovespa segue na esteira do mercado internacional e apresenta queda na faixa de 5,5% nesta tarde.

A equipe de análise do Itáu BBA avalia que o movimento das bolsas sinaliza que os investidores acreditam cada vez menos que medidas de estímulo monetário terão grandes efeitos no aquecimento da atividade econômica  dos EUA, além da preocupação com a deterioração das economias por todo o mundo, apesar do anúncio das novas medidas para cortes de gastos públicos da Grécia ter diminuído um pouco o temor sobre um calote do país.

Na véspera, o Federal Reserve anunciou, ao fim da reunião do Fomc (Federal Open Market Committee) , um novo estímulo à economia norte-americana, através da venda  de US$ 400 bilhões de títulos públicos de curto prazo, para reinvestimentos em títulos de longo prazo. O Fed também decidiu reinvestir os recursos de seus ativos lastreados em hipotecas em novos ativos hipotecários, além de manter a taxa básica de juros dos EUA entre 0% e 0,25% ao ano. A autoridade monetária, no nentanto, ressaltou também os riscos de piora do cenário econômico atual.

...assim como commodities e metais preciosos
As commodities também registram movimento contrário ao dólar, com o barril do petróleo Brent,negociado  no mercado de Londres, cotado a US$ 105,79, apresentando uma desvalorização de 3,07% em relação ao último fechamento. Já o contrato com vencimento em outubro, que apresenta maior liquidez no mercado de Nova York, segue cotado a US$ 81,23 por barril, configurando uma baixa de 4,64% frente ao fechamento anterior.

As commodities metálicas seguem no mesmo sentido, com quedas de 3,42% para o alumínio, de 7,13% para o níquel, 3,25% para o zinco e de 8,31% para o estanho.

Enquanto isso, os metais preciosos, visto como porto seguro para os investidores em tempos de crise também apontam fortes desvalorizações, com o ouro caindo 3,70% e a prata recuando 9,07%.