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O boom do setor ferroviário no Brasil

Na semana passada, a MPE Montagens e Projetos Especiais anunciou parceria com a Scomi, da Malásia, para instalar linha de montagem de monotrilhos no Rio de Janeiro. A unidade receberá investimento de R$ 15 milhões na fase inicial, podendo a chegar a R$ 25 milhões, dependendo da demanda. Este é o quarto investimento anunciado em cerca de um mês na área de material ferroviário.

Para Gerson Tolller, diretor da EJT, empresa que organiza a Feira Negócios nos Trilhos (de 8 a 10 de novembro, em São Paulo) estamos em meio a um boom ferroviário no Brasil. Toller cita os outros investimentos recentes: a fábrica de locomotivas da Progress Rail/Caterpillar em Sete Lagoas (MG); a fábrica de sistemas de freio da Knorr Bremse em Itupeva (SP); a fábrica de trens elétricos da Hitachi/Iesa em Araraquara (SP )e, agora, a fábrica de monotrilhos da MPE/Scomi no Rio de Janeiro. “Isso sem contar a expansão em curso nas fábricas da Bombardier e da CAF em Hortolândia”, diz.

Por trás desses investimentos, estão os vários projetos que estão em estudo pelo governo federal e por governos estaduais, que vão desde a construção de novas ferrovias, a introdução de VLTs e monotrilhos, do trem-bala, ao aumento na produção da indústria ferroviária e a expectativa de grandes projetos de mobilidade urbana para os jogos de 2014 e 2016. “Até 2020, o país deverá construir 12 mil quilômetros de estradas de ferro”, informa Vicente Abate, presidente da Abifer, lembrando que as ferrovias representam hoje 25% da matriz de transporte do Brasil e que a expectativa é a de alcançar 35% até 2025.

“Desde o período imediatamente anterior à I Guerra Mundial não se via tamanha expansão do transporte ferroviário no Brasil”, afirma Toller. “Só que em 1910 não tínhamos indústria. Hoje fabricamos tudo no Brasil, menos trilhos e motores de locomotivas. Mas daqui a pouco vamos chegar lá”, brinca.

Aliás, segundo notícia publicada pelo jornal Valor Econômico, tanto a Vale quanto a Gerdau estariam avaliando a possibilidade de fabricar trilhos no Brasil. Em 1996, a CSN fechou sua unidade de produção de trilhos em Volta Redonda (RJ) por falta de demanda.

Como resultado do interesse que o setor ferroviário no Brasil vem despertando, a próxima edição da Feira Negócios nos Trilhos será a maior dos 14 anos de história do evento. A EJT acaba de ampliar a área de exposição em 1.800 m² para atender à procura. Agora, a feira ocupará um total de 15 mil m², correspondentes a dois pavilhões (Vermelho I e 2) do Center Norte.