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Australiana Mirabela investe US$ 800 mi em níquel no Brasil

quinta-feira, 19 de maio de 2011

 

Jornal Valor Econômico - Vera Saavedra Durão | Do Rio
 
Nepomuceno, presidente no Brasil: "Não temos planos de verticalização"
A Mirabela Mineração do Brasil, subsidiária do grupo empresarial australiano Mirabela Nickel, começa a exportar o primeiro carregamento de 8 mil toneladas de concentrado de níquel. O destino é uma unidade finlandesa da multinacional russa Norilsk, a maior produtora de níquel do mundo. A carga, avaliada em US$ 30 milhões, foi embarcada esta semana pelo porto do Malhado, em Ilhéus, na Bahia, a 140 quilômetros da mina de níquel de Santa Rita, de propriedade da empresa. Até agora, os fundos de investimentos estrangeiros que controlam a matriz, entre eles o Perpetual e um fundo do JPMorgan, já investiram US$ 800 milhões no empreendimento.
O diretor-presidente da Mirabela do Brasil, Luis Carlos Nepomuceno, que teve passagens pela Vale e pela Magnesita, disse ao Valor que no momento está sendo concluido o investimento de implantação e operação da mina e a construção da unidade de beneficiamento para produzir o concentrado. "Até 2012 a Mirabela deverá estar produzindo 25 mil toneladas de níquel contido. O metal é produzido a partir das reservas de níquel sulfetado de Santa Rita."
Segundo Nepomuceno, só há dois tipos de níquel no mundo: o laterítico e o sulfetado. O último é o mais raro e mais interessante, economicamente, porque o investimento é mais baixo e o custo de produção também, pois o processo para obter o concentrado é mais simples do que o laterítico.
"A mina a céu aberto da Mirabela é a maior descoberta de níquel sulfetado do mundo nos últimos 20 anos, desde a Voyce´s Bay, da Vale Inco, no Canadá", informou o executivo. Com reservas provadas somando 120 milhões de toneladas de níquel sulfetado, Santa Rita tem vida útil de pelo menos 20 anos, o que a coloca como a segunda maior do mundo neste ranking, depois da mina da Vale Inco. No Brasil, além do projeto Mirabela, o níquel sulfetado é produzido também na mina da Votorantim, em Fortaleza de Minas (Minas Gerais), e na mina da Americana do Brasil, em Goiás.
Com 28 anos de experiência em atividade mineradora, Nepomuceno desenha um cenário otimista para o produto. "O mundo hoje tem uma demanda forte pelo concentrado de níquel. O metal é matéria prima para fazer o níquel refinado, usado principalmente na siderurgia. "Todo tipo de aço que não pode ter corrosão leva níquel, como o aço inox."

Apesar de estar no seu segundo ano de teste de operação, a Mirabela já está com sua produção toda vendida. "Temos apenas dois clientes, a Votorantim, no mercado interno, e a Norilsk, no externo. Fechamos contratos com essas duas empresas até 2014 para vender 50% da produção para cada uma. O ano passado produzimos 10 mil toneladas, este ano ainda não temos o dado final, mas em 2012 certamente alcançaremos a meta de 25 mil toneladas. Já estamos fornecendo o concentrado de níquel para a unidade da Votorantim, em Fortaleza de Minas, e agora vamos realizar a primeira venda para a Norilsk, na Finlândia", comemorou.
O preço que a Mirabela cobra para exportar o concentrado é CIF, ou seja, posto no porto de destino. Nascimento explicou que a empresa responde por toda a logística da operação, desde o transporte da carga pelas rodovias BR-330 e BR-101 até o porto de Ilhéus, além do afretamento do navio para o embarque e descarregamento no porto de Mantyluoto, na cidade de Pori (Finlândia).
A meta da companhia é atingir as 25 mil toneladas de níquel contido até 2012, volume teto da mina.
"No futuro, nossa logística vai melhorar ainda mais, pois a Ferrovia Leste-Oeste vai passar dentro do nosso terreno. Já estamos negociando a construção de um ramal que possa ir até o nosso galpão de estocagem na mina."
Localizada no município de Itagibá, no Estado da Bahia, a 140 quilômetros de Ilhéus e a 370 quilômetros de Salvador, a Mirabela Brasil começou sua história em 2003, quando seus acionistas assinaram com o Companhia Baiana de Pesquisa Mineral (CBPM) um contrato de pesquisa complementar e promessa de arrendamento.
Em 2004 foi delineado o depósito de níquel sulfetado com teor de 0,62% de níquel e 0,16% de cobre. Em 2006 recebeu as licenças de localização e implantação. Em 2007 começou a implantação da mina Santa Rita e foi obtida a Licença de Operação. Dois anos depois, iniciou a fase de teste operacional que está sendo concluída este ano.
"A meta é 25 mil toneladas de níquel contido até 2012, volume teto da mina. Nós só vamos produzir concentrado. Não temos planos de verticalização como a Norilsk", afirmou o executivo. O concentrado de níquel é destinado sobretudo a indústria de aço inox que vem se recuperando e mantendo o mercado de níquel bem aquecido. Os preços do metal estão nos patamares de US$ 26 mil a US$ 28 mil a tonelada, conforme as cotações da London Metal Exchange (LME).
A Mirabela australiana que detém 100% da Mirabela do Brasil tem ações listadas nas bolsas de Sidney (Austrália) e de Toronto (Canadá) e capital pulverizado. A maioria dos fundos que são seus acionistas detém entre 5% a 6% do capital da companhia e são, na sua maior parte, australianos ou canadenses. Uma vez por ano acontece uma reunião do conselho e uma visita ao projeto no Brasil. O comando da empresa, com sede na cidade de Perth, vem ao Brasil a cada quatro meses ver o andamento do projeto.
"Não há planos de abrir o capital da companhia na bolsa paulista", disse Nepomuceno. Até agora, o único ativo físico da holding é a Mirabela do Brasil, mas estão sendo feitas pesquisas na região e em outros Estados em busca de novos potenciais de minério que podem se transformar em novos projetos. A empresa emprega 800 pessoas, todas da região.