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Para Barbosa, medida do BC é correta e tem impacto sobre expectativas

 

MÁRIO SÉRGIO LIMA
DE BRASÍLIA

O secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa, elogiou a medida anunciada nesta quinta-feira pelo Banco Central e disse que, por tornar mais caras as operações de tomada de dinheiro no exterior para aplicação interna, diminui a rentabilidade e reduz o incentivo a essas atuações das instituições financeiras.

"Essa medida tem impacto gradual, só começa em abril, então na verdade tem um impacto mais sobre as expectativas. Vai na direção correta e é uma das medidas que vínhamos discutindo já há um tempo com o Banco Central, desde 2008 que estava dentro da lista das medidas que podiam ser adotadas", afirmou.

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De acordo com a medida, os bancos terão de recolher, sob a forma de compulsório, 60% do valor correspondente à sua posição "vendida" no mercado de câmbio que exceder o menor dos seguintes valores: US$ 3 bilhões ou o seu patrimônio de referência. A posição vendida, no mercado de câmbio, significa a aposta do investidor na desvalorização de um ativo.

A medida é considerada unilateral, pois pune somente um lado, que é a adoção da posição vendida. "É uma medida compulsória, ou seja, não proíbe, só aumenta o custo dessa operação. Se (o banco) for adotar uma posição de US$ 100, tem de colocar o equivalente a US$ 60 depositado no BC sem remuneração", afirmou Barbosa. Ele negou que a medida interfira em investimentos.

Apesar de admitir que a medida estava no rol de estudos desde 2008, Barbosa se negou a comentar se ela só foi tomada no começo deste ano em decorrência da nova direção do BC, presidido agora por Alexandre Tombini e não mais por Henrique Meirelles, que travou embates na política macroeconômica com o ministro da Fazenda, Guido Mantega. "Sobre isso não faço ponderações", disse.