Noticias

Cientistas ainda buscam muitas respostas sobre coronavírus

Por mais que o SARS-CoV2 seja o assunto mais falado desde que o vírus foi descoberto na China, em 31 de dezembro de 2019, ainda existem diversas dúvidas que a Ciência não conseguiu responder sobre ele. Por exemplo, por mais que se saiba que o vírus surgiu no mercado de pescados de Wuhan, não se tem ideia de quem tenha sido o transmissor. Há hipóteses que destacam o morcego, por conta das similaridades com o Mers e Sars. No entanto, nesses dois últimos casos, se sabe que houveram intermediários que adaptaram o vírus para que se tornasse um patogênico para humanos. No caso do Mers, os dromedários. “Para o novo coronavírus, já pensamos em porcos, cobras e pangolins, mas até agora nenhuma evidência que suporte esses animais como reservatórios do vírus foi encontrada”, afirmou o virologista Rômulo Neris ao portal de notícias da UOL. Ele também é pesquisador visitante da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos. Já de acordo com Mateus Westin, infectologista e professor Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), o vírus não está presente somente em secreções respiratórias, mas também se encontra em fezes e sangue. No entanto, ainda não há evidências da possibilidade de transmissão fecal, seja por contato sexual ou por higiene inadequada. “Isso ainda não está estabelecido, mas são essas as secreções onde o vírus foi adequadamente isolado”, contou. Reinfecção Outra incerteza é se uma pessoa pode ter duas vezes a Covid-19 ou se depois da primeira exposição o indivíduo se torna imune. “O vírus foi detectado novamente em alguns indivíduos que já tinham sido considerados curados até 30 dias depois da alta. Entretanto, ainda não se sabe se foi uma nova exposição ao vírus ou se ele havia se tornado subdetectável [não detectado no teste] e voltou a ser ativo e capaz de replicar”, disse o pesquisador. “Em geral, uma parte dos indivíduos infectados tem níveis altos de anticorpos durante e depois da infecção e, em uma janela curta de tempo, provavelmente é resistente a uma nova infecção”, apontou. Caso seja possível uma reinfecção, outra dúvida é se a doença chegará mais enfraquecida, devido a resposta imune do organismo, ou se o vírus chega de maneira ainda mais agressiva. “Como dengues do tipo 1 ao 4 —, hipoteticamente, podemos ter uma resposta imune muito acentuada e, em vez de combater com um tiro de revólver, vamos dar um de canhão. Isso produz uma resposta inflamatória mais intensa no nosso organismo, e são maiores as chances de evoluir com sintomas de mais gravidade. Mas não está estabelecido”, pontuou Westin. Fora do corpo Para os cientistas, ao contrário do que algumas pessoas pensam, é improvável que a sola do sapato carregue o vírus. Muitas pessoas tiram o sapato antes de entrar em casa com esse temor. De acordo com Neris, é mais provável que a eficiência dessa questão esteja ligada à superfície do sapato, não a sola, que pode acumular gotículas infectadas. Por esse motivo, as roupas e sapatos devem ser removidas, ao se chegar em casa, sem tocar o rosto antes que se lave as mãos. Já a inativação do vírus no ambiente é incerta em quando comparamos temperaturas. Não se sabe, exatamente, como ele funciona em diferentes temperaturas. “É claro que temperaturas absolutamente altas no processo de esterilização são passíveis de eliminação não só desse vírus, como da maioria, mas, do ponto de vista de sobrevida ambiental, sabe-se que a tendência é que ele se comporte melhor em temperaturas mais baixas”, afirmou Westin, que também observou que o vírus se adaptou bem nesse fim de verão e em países tropicais. A duração do vírus em superfícies pode variar. “Um estudo recente descreveu que a meia-vida do vírus em diferentes superfícies varia de duas a sete horas. Entretanto, vírus ainda podem ser detectados por até 72 horas em pequenas quantidades. Em ordem de persistência, temos papelão (até 24 horas), aço inoxidável (até 48 horas) e cobre (até 72 horas)”, informou Neris ao portal. Jovens saudáveis também morrem Para a infectologista Naihma Fontana, é impossível determinar que toda pessoa jovem e saudável que seja infectada pelo vírus irá sobreviver. No Brasil, cerca de 10% das mortes pelo novo coronavírus foram pessoas abaixo de 60 anos. Alguns desses pacientes eram jovens saudáveis, sem problemas crônicos. Não existe uma explicação ainda para determinar o motivo disso ocorrer. “Ainda não sabemos, é impossível prever. Pacientes com condições pré-estabelecidas estão mais vulneráveis, é claro. Mas e quem não tem [um histórico de doenças]? Alguns morrem. É preciso entender melhor como o vírus funciona”, disse a infectologista. Mas é importante destacar que não existe cura para este novo coronavírus ainda. Existem estudos que indicam boas respostas a alguns tratamentos, como é o caso da cloroquina. * Jornal Opção