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Siderurgia caminha para mais um duro ano em 2012

O setor siderrgico brasileiro deve ter mais um ano duro pela frente em 2012, principalmente no segmento de aos planos, enquanto a combinao difcil de custos elevados de insumos e preos de ao estagnados persiste em meio s incertezas sobre a economia global.

A avaliao de analistas consultados pela Reuters que a importao de ao e, principalmente, de produtos acabados que usam ao, como carros, seguir guilhotinando qualquer tentativa de alta mais consistente nos preos.

O vis positivo que aps o fraco desempenho industrial do final de 2011, o governo acene com medidas de incentivo economia como reduo de juros, o que pode melhorar a demanda e o resultado das siderrgicas a partir do segundo semestre.

Segunda metade do ano apenas porque os sinais apresentados neste ms no do motivos para analistas acreditarem em fora na demanda ao menos at junho.

Esta semana, por exemplo, o presidente do Instituto Nacional dos Distribuidores de Ao, Carlos Loureiro, afirmou Reuters que o volume de encomendas feitas s siderrgicas est abaixo do esperado, indicando um primeiro trimestre mais fraco que o normal para o setor.

Outro motivo de preocupao so as chuvas que atingem Minas Gerais e que esto prejudicando a produo e o transporte de minrio de ferro, item que h vrios trimestres tem ajudado nos resultados das siderrgicas, principalmente da CSN.

A Vale declarou fora maior na quarta-feira e a Usiminas informou na quinta-feira que teve de aumentar transporte terrestre aps interrupes de ferrovias.

A CSN, cujas operaes de minerao so concentradas em Minas Gerais, informou que o volume de minrio que deixou de ser embarcado "no grande e no impacta estimativas da empresa".

"O quarto trimestre mostrou desacelerao da indstria, a economia sentiu os efeitos da poltica monetria", disse o analista Rafael Weber, da corretora Gerao Futuro.

"Podemos ter, talvez, se a atividade se recuperar no Brasil e no tivermos um aprofundamento da crise l fora, um segundo semestre de resultados melhores, com impacto positivo da queda do juros", acrescentou.

Para a corretora Ativa, que assim como o JP Morgan reduziu este ms seus preos-alvos para as aes do setor, 2012 ser mais um ano "desafiador" para as siderrgicas locais em que no se espera nenhum reajuste no preo significativo do ao no mercado interno.

PREFERIDA

A preferncia do mercado, segundo avaliao dos analistas, recai sobre as aes da Gerdau, pela exposio da empresa ao setor de aos longos, favorecido pelos investimentos do pas em infraestrutura e sinais de recuperao nos Estados Unidos. Em 2011, a ao da empresa acumulou queda de quase 35 por cento.

Para a analista Daniella Maia, da Ativa, outro fator de preferncia pela Gerdau a divulgao prevista para este semestre do plano de monetizao das reservas de minrio de ferro do grupo, que j 70 por cento autossuficiente na commodity e poder usar excedente para exportar.

O cenrio muda de figura no caso da Usiminas, que viu recuo de 45 por cento no preo de sua ao preferencial em 2011.

"Quem est posicionado em Usiminas, acho que j est mais do que na hora de sair desse papel. Deu um rali no final do ano passado e quem conseguiu sair timo, quem no conseguiu melhor realizar prejuzo", disse a analista, citando o fraco desempenho operacional da empresa que tenta melhorar sua estrutura de custos para ganhar competitividade.

Sobre CSN, cuja ao perdeu mais de 40 por cento no ltimo ano, a analista afirmou que h riscos embutidos na empresa sobre o projeto de expanso da mina de minrio de ferro de Casa de Pedra, que sofre atrasos diante da demora de ampliao de porto exportador, e o papel da companhia na Usiminas, depois de seguidas compras de aes da rival, opinio tambm compartilhada pelo Morgan Stanley.

INCERTEZA

Apesar do Instituto Ao Brasil (IABr) ter divulgado no final de 2011 expectativa de aumento das vendas de ao no pas de 8,4 por cento sobre 2010, para 23,3 milhes de toneladas, e produo avanando 6 por cento, a 37,5 milhes, os nmeros podem no se confirmar diante da volatilidade pela qual o setor atravessa.

" uma previso que provavelmente deve ser revista este ano. Ningum sabe ao certo o que vai acontecer... No primeiro semestre, o setor deve repetir o que vimos no quarto trimestre: por mais que a importao de ao tenha diminudo, a presso tende a continuar grande", afirmou o analista Victor Penna, do Banco do Brasil.

 

 

Fonte: Reuters